tempo que passa e coisas que mudam

Já faz um tempo que eu percebi que, no desenvolvimento infantil, tudo é fase e tudo passa: as coisas boas, as coisas ruins, todas as coisas. Se tem algo com que se pode contar é que vai passar – e esse tem sido muitas vezes meu mantra, nos momentos de crise e dificuldades.

Atualmente venho achando muito divertido ver as mudanças.

1) Odiava colocar o capuz da toalha na cabeça – agora gosta e pede, se não colocar, não sossega.
2) Me pedia pra fazer tudo por ele, não comia nem fazia nada sozinho – agora não me deixa fazer por ele (exceto dar comida na boca, quando está com sono). Pede “tozinho, mamãe, tozinho” e sai servindo o próprio prato, escolhendo as comidas que quer. Coloca o pó do leite no copo e mexe. Escova os dentes. Abre a geladeira, pega o suco (sob meus protestos preocupados de que derrube tudo no chão, o que eventualmente acontece), coloca no copo e bebe. Aperta o botão do elevador, apaga a luz do quarto, desliga a televisão (e se eu me esqueço e faço antes dele, é uma choradeira).
3) Mudou os gostos alimentares. Adorava xuxu, agora não gosta. Detestava batata doce, agora adora. Substituiu a banana com aveia pela banana passa. Despilhou da água de côco e agora prefere natural.

Uma coisa que percebi de forma bem marcante, recentemente, foi que a inserção bem feita do elemento lúdico em algumas atividades – especialmente as obrigatórias – foi fundamental para as mudanças. Saca Mary Poppins? “A spoon full of sugar helps the medicine go down”? Então:

4) Não queria tomar o remédio que a médica passou de jeito nenhum. Aí eu disse que era pó mágico igual ao da Sininho, e que ia fazer a água ficar laranja. Pronto! Ele agora pede pelo pó mágico, quer rasgar o papel, colocar na água e mexer sozinho, toma de gut-gut.
5) Não queria colocar soro no nariz até o dia em que coloquei uma quantidade tão grande que caiu na boca, e ele espirrou a água em mim, e brincamos que parecia um elefante. Agora me pede para “fazer elefante” a toda hora.

Outras percepções gerais sobre a atual fase:

1) Está fofo e prestativo. Quer ajudar em tudo: “Tô azudar tocê, mamãe”. Arruma a cama comigo, coloca os travesseiros no lugar, ajuda a lavar a louça, varre com a própria vassourinha etc.
2) Está sacana. Provoca o pai dizendo que é “da mamanhê”; me provoca dizendo que é “do papaiê”. Esconde as mãos atrás do corpo e diz “não tem mão”, quando não quer fazer algo. Hoje encontrou o avô, que adora, e perguntou de cara lavada “quem é tocê?”.
3) Está grude comigo e sensível. Com uma fragilidade que me preocupa. Como se não tivesse superado algum sentimento de perda sempre que se vê sozinho, quando saio de perto muito rápido ou sem avisar, mesmo que para dar um pulo na cozinha. Vem atrás de mim, choroso, dizendo “tocê não code fugir de mim, mamãe”. Fico me perguntando se é algum paradoxo de quem está buscando cada vez mais independência, fazer sozinho as coisas, mas, ao mesmo tempo, fica assustado com a percepção da separação, do crescimento.
4) Está muito falante. Fala tudo, tudo mesmo – na linguagem dele, fazendo as devidas trocas de consoantes, substituindo as que ainda não fala (v, por exemplo, inavariavelmente troca por c ou t). Mas tenho percebido que todos os dias, incorpora mais fonemas, acrescenta letras que faltavam a determinadas palavras. Hoje ele acrescentou um m ao nome do avô. Falou certinho: “cocô” Marcos. Até outro dia, era “cocô Arcos”.

Está uma fase bem gostosa. Vou aproveitar, que logo passa.

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