admirável mundo novo

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A gente tem tanto a aprender. Isso me extasia. É engraçado como eu não me lembro de sentir, quando criança ou adolescente, essa sensação de deslumbramento, de entusiasmo, porque ainda existe um mundo inteiro de descobertas, como sinto agora. As descobertas eram muitas, e a alegria de fazê-las era linda, mas inocente. Talvez eu não tivesse, até então, a dimensão do meu desconhecimento. Hoje olho para trás e percebo quão equivocada estive em tantos momentos, me deslumbro com quanto aprendi nos últimos tempos e me espanto com quanto nem sei que ainda tenho a aprender.

Quantas vezes na vida pensei que já sabia bastante e que estava certa a respeito de tantas coisas? Agora percebo que não sei nada. O que eu achava que sabia ruiu, desconstruí completamente. Sobraram-me partes, para reorganizar e construir algo outro daqui por diante.

Tenho me espantado sempre que encontro pessoas que acreditam já ter todas soluções e respostas sobre a vida. Encontro pessoas assim, invariavelmente, das mais diversas idades: jovens, balzaquianas, idosas. Surpreendo-me. Será que elas realmente sabem tão mais do que eu? Ou estarão apenas iludidas?

Todos os dias percebo como sei pouco sobre o mundo, sobre suas diferentes realidades e nuances, sobre seus mistérios. Quanto mais procuro, pesquiso e estudo, mais me distancio de uma verdade absoluta. Percebo as múltiplas verdades se desdobrando como em um caleidoscópios – diferentes espelhos de um mesmo objeto. Singulares.

O mundo é grande e diverso. A experiência alheia não tenho como conceber, posso apenas imaginar. Incapaz de entender em profundidade pelo que o outro passa, consigo apenas resvalar sua realidade, com grande esforço de empatia. Da mesma forma, minha realidade é apenas minha. Somente eu consigo compreender as múltiplas forças que me motivam, as experiências que me marcaram, que me moldaram e levaram a ser do jeito que sou. Ou, melhor dizendo: nem mesmo eu consigo vislumbrar e compreender tantos componentes.

Percebo-me cada vez mais incapaz de julgar o outro. Suas reações, suas atitudes, sua história de vida. Essa incapacidade faz-me ter renovado respeito por quem esse outro é, por suas limitações, por nossas diferenças. Posso dizer que muitas vezes não entendo determinadas atitudes, pensamentos. E como poderia? A história de vida que levou a eles não foi a minha.

Venho desvendando mistérios de que antes nem suspeitava. Com tanta novidade se descortinando, é impossível ficar indiferente, não me contagiar e motivar a descobrir mais. Que outros mistérios podem estar escondidos por aí? Acho o mundo mais belo e intrigante do que nunca. Esse sentimento sublime de insignificância perante as grandezas da vida é ao mesmo tempo alumbramento e temor diante da constatação da minha pequeneza.

Ganho fôlego. Curiosidade renovada. Um caminho que eu julgava estável, reto e constante, se desdobra em mil, de repente. Milhões de caminhos possíveis, tortuosos, ascendentes, descendentes, espiralados! Dá vontade de trilhar todos eles, só para ver aonde vão dar. Vou escolhendo e seguindo, escolhendo e seguindo. E me surpreendendo, quase sempre.

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