da vida, quando vira caos

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A semana começou conturbada, e a vida tem estado assim (conturbada) há meses, num crescente que me espanta. Penso aonde isso vai me levar. Quando olho pra trás e vejo tudo que rolou, me surpreendo e penso: “Céus! Fiz tudo isso mesmo? Como consegui?”

Não foi sem uns piripaques, é claro. Sem surtos ocasionais, sem nenhum desespero… Todos têm seus dias de surtar. Ontem foi um desses. Passei o dia louca, com uma vontade extrema de gritar, de espernear, de chorar e fugir, se possível, para um lugar mais tranquilo. Tudo tem me deixado confusa: minha rotina, minha vida, meus quereres e o mundo.

O mundo parece que a cada dia está mais de pernas pro ar. Onde já se viu, tanta maluquice? E eu cheguei à conclusão que não devo planejar nada, que planejar é se frustrar. Até hoje eu vinha tentando manter o controle da situação, ainda que sem rédes curtas. Dentro do meu possível, tentava colocar tudo no lugar… Plano A, plano B, plano C, plano D… E nenhum dando certo. Um conspiração, uma pegadinha astrológica?

Cuidado com o que desejas, dizem eles. Têm razão. Eu queria trabalhar em casa? Demorei anos para decidir, mas finalmente o fiz, e… Toma!! Vazamento, cupim, reforma hidraulica total, parede abaixo… Casa da sogra. Mudamos pra casa da sogra, e eu sempre acho engraçado como essa notícia gera automaticamente reações de compaixão. Explico que não é tão ruim, me dou muito bem com minha sogra e com a mãe dela (que mora junto), conseguimos nos alojar com bastante conforto… Mas foi necessária uma mudança, nos adequarmos à nova realidade, à geografia, às distâncias maiores, à ida e vinda da obra, a algumas coisas sempre faltando, pois claro que não pudemos trazer tudo.

Dentro desse caos, adicione: uma babá de férias, um mestre-de-obras, alguns bombeiros, alguns pedreiros, algumas visitas a lojas de material de construção (C&C, Leroy Merlim, Amoedo, Palácio das Ferramentas, outras tantas da Frei Caneca…), um eletricista, uma reunião de condomínio, uma criança insone, muitos trabalhos atrasados, pouco tempo para fazer (madrugada), etc. Ah, e o aniversário do meu filho se aproximando e eu sem tempo pra pensar em comemoração…

Respiro fundo.

Eu não sei o motivo pelo qual as coisas acontecem dessa forma. Constelação astral, horóscopo, planejamento divino, azar? Só acho interessante (e difícil, dificílimo) uma pessoa perfeccionisma e controladora como eu ter de conviver dessa forma com o incerto, com o imprevisto, com o que dá errado, com os planos, A, B, C e D desmoronando e tendo de ser substituídos por outros, cada vez menos pretensiosos e intrincados. Não é algo com que eu esteja acostumada, e, te digo, estou exausta. Estou cansada de usar a madrugada pra trabalhar, cansada de não saber o que vai ser no dia seguinte, se vai ter greve de ônibus e vou ter de desmarcar o eletricista, não contar com a babá ou outra coisa… Cansada de estar com a cabeça tão maluca que chego a sair pra trabalhar sem a chave do escritório e sem o celular, de modo que nenhuma opção me resta além de me dar por vencida e voltar pra casa depois de duas horas sem ter podido trabalhar. Cansada de acordar com o meu filho chorando de madrugada ou lutando para não ir dormir (e só adormecendo às 24h30), porque afinal também está sendo intenso pra ele, são muitas mudanças ao mesmo tempo, uma ida e vinda sem fim, uma incerteza, um mimo de vó e bisa, uma ciumeira recém-descoberta do primo… etc. Definitivamente, cansada.

Respiro fundo.

E tempo pra me cuidar, tem? Não tem. Não tem tempo pra ir à yoga, não tem tempo de comparecer à aula de desenho. Não tem nem tempo (nem dinheiro) pra ir ao osteopata destravar a dor que sinto intensamente nos ombros e braço por carregar muito peso (12kg de bebê, sabe-se lá quantos de material de desenho, materiais de obra, o peso do estresse)… Nem mesmo trm tempo pra fazer a sobrancelha e as unhas pra festinha de aniversário. Supérfluo, minha filha, tudo supérfluo!

Respiro fundo.

Mas, espera aí. Quem foi que disse que a situação está tão ruim? (Sacudiu-me uma amiga.) É necessária uma reforma hidraulica? OK, ufa temos condições de fazê-la, vamos nessa. Mudar pra casa da sogra poderia ser horrível, mas tenho uma sogra querida, que mora com a própria mãe, que é como se fosse uma avó para mim também e que meu filho ama de paixão, elas moram numa casa confortável, onde pudemos ficar com um quarto pra nós e estamos bem alojados. Elas nos ajudam de todas as formas possíveis, ainda que nem sempre tenham disponibilidade e procuremos não abusar, mas sempre que acontece algo errado elas se disponibilizam, apoiam, dão ideias. Poder contar com a família é incrível. Ter um marido que me apoia, que encara nossos problemas junto, com vontade, ainda mais. E se tem trabalho acumulando e atrasando, é porque faltando não está. Certo?

Respiro fundo.

Sinto-me alegre. Percebo que toda essa crise, essa maluquice, esse momento extremo que passamos, na verdade é bonito, é um momento de mudança que nos fortalece e nos permite crescer.

Talvez seja também uma forma do universo me dizer mesmo que não é possível controlar tudo, é preciso ser mais flexível, escolher as batalhas, é preciso simplificar e não complicar, é preciso buscar o minimalismo na vida para ser mais feliz… Eu sei lá.

Eu sinto falta da minha cama, da minha casa, das nossas paredes (que foram abaixo)… Sei que meu filho deve sentir falta do quarto dele. Sinto falta do silêncio, da tranquilidade (que a casa da sogrinha é um agito só!), de poder me concentrar no trabalho, de ter uns minutos sozinha, da minha yoga, da minha aula. Sinto falta de ter tempo à toa, de lazer. Sinto falta de mim mesma, às vezes. Mas sei que essas coisas estarão comigo novamente em breve, que voltarei para casa, que poderei voltar a focar no trabalho, que poderei sentar-me em silêncio e não fazer nada, em breve. Elas estão aí, em algum ponto do futuro, à minha espera. Sabe-se lá quando.

Aguardo.

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