epitáfio

São dias como hoje que fazem tudo ficar esquisito.

Lá fora há sol, mas dentro está nublado.

Que vida frágil e fugidia. Escapa de nossas mãos quando menos…

Nossa fragilidade me choca demais. Somos tão vulneráveis e quebráveis, insuspeitos do que o futuro aguarda. Até quando estaremos aqui? Até quando nossos amigos, nossos amores?

É certo que ninguém consegue viver pensando na morte. Ela existe para ser um extremo, uma das pontas da vida. Não sabemos quando a encontraremos, apenas temos certeza de que sim, um dia… e não falha, um dia ela chega.

De um dia pro outro, uma folha cai, uma rosa murcha. Ninguém sabe por quê, ninguém entende. Motivos efêmeros! Incompreensíveis… Não faz sentido algum não estarem mais ali… só acontece que não estão.

Fica o vazio. Aquele espaço que deveria estar ocupado, mas não está. Só não é mais vazio porque a dor parece preencher tudo…

Eu não sei que lição tiram os outros de dias como este. Eu não sei bem que lições tiro eu… Mas me pego pensando em vida e em morte, em saudades, sorrisos e alentos…

Sinto que ela parece distante hoje, mas não se sabe. À medida que o tempo passa, nos tornamos mais íntimas. Temos nos encontrado com mais frequência. Onde antes já suspeitara e onde não… Um traço certeiro da morte é que ela surpreende. Às vezes achamos que já deveria se aproximar, e no entanto demora anos… Outras vezes parece cair de paraquedas onde não deveria, onde não faz sentido. Onde estava ainda tão cheio de vida… que não há lógica.

Vida fugaz e arredia.

Não há controle sobre nada. Muito menos sobre o fim. Quando ela quiser, será. Ou quando não quiser, mas precisar. Quando não houver mais como. Quando piscar os olhos. Quando virar a esquina.

O que nos resta são memórias. Nos resta lembrar do que foi e aproveitar o que é. Hoje. Que amanhã pode não ser mais.

De que vale lamentar? De que vale resistir? De que vale não se entregar? De que vale ressentir?

Até que meus dias terminem quero dizer mais palavras doces. E verdadeiras. Não quero palavras que não sejam reais. Não quero palavras que sejam rudes. Quero dizer o que há em mim de verdade, e que verdadeiramente conforta, acalma, acarinha. Palavras amargas prefiro deixar pra depois.

Quando partir, não quero o sabor do amargo em minha boca.

Quero partir com um sorriso. Como quem sabia ser feliz e solta uma gargalhada, pouco antes do fim.

Obrigada, vida.

Adeus.

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