desejos para um ano que começa (e uma vida que segue)

Costumo observar o tempo de forma fragmentada: um ano sucedendo-se ao outro, como coisas diferentes; uma coisa acabando e outra começando.

Sempre senti uma angústia enorme de deixar coisas incabadas nesse período. Como se eu precisasse fechar um balancete da vida no ano antigo para abrir o seguinte. Também tive sempre a urgência de encontrar todas as pessoas queridas antes de acabar o ano, como se não pudesse deixar para depois. Como se o tempo fosse de fato acabar. E com ele, talvez, o mundo.

Desta vez estou me relacionando com a mudança de calendário de outra forma. Sem nenhum peso de perda ou sensação de deixar algo para trás. Na verdade, ahco que estou finalmente percebendo o tempo como ele é: contínuo. Que não acaba nem começa. Afinal, tudo que fiz em 2013 vai continuar em 2014, no mesmo caminho, na mesma direção, a menos que eu (ou a vida) decida diferente.

Talvez por isso eu não tenha me apressado em enviar cartões de Natal e mensagens de final de ano. Não fiz o costumeiro balanço do ano que se passou nem estabeleci metas para o que começa. Não estou fechando nada. A bem da verdade, nem estou começando nada. Essa vida segue em círculo, sem começo nem fim. Damos voltas em espirais que não terminam – até que um dia, inevitavelmente, terminem de uma vez.

Tomei uma única decisão nessa virada de ano: levar a vida de forma mais leve. Menos fatalismo, mais paciência e perseverança. Não me sentir esmagada pelas insatisfações, pelo peso dos obstáculos, como se tivessem caído em meus ombros. Os obstáculos serão pedras no caminho, e não às costas. E serão percebidos e aceitos como parte do caminho e devidamente driblados (ou seguirei tentando).

Embora eu não tenha estabelecido metas, alguns desejos me vêm à mente quando penso no novo ano. E, apesar de não estar realmente “começando” nada, vale organizá-los, a fim de mantê-los em mente, não permitir que se percam por aí… e me lembrar deles, sempre que tudo me parecer mais confuso do que agora:

Ser capaz de abrir mão do que me imobiliza, de romper com o que não me faz feliz.

Conseguir colocar em prática os novos projetos que me encantam e aqueles que ficaram no fundo da gaveta, aguardando que eu pudesse me dedicar a eles.

Permanecer no caminho que comecei em direção a meus sonhos. Aprofundar-me neles. Mergulhar de cabeça.

Manter os pés no chão, para entender que ideal e real são coisas distintas.

Ter coragem para enfrentar meus medos.

Ser mais verdadeira e mais direta.

Ser capaz de entrar em contato com minha tristeza e minha alegria, mesmo que elas surjam ao mesmo tempo, e não sentir culpa em relação a elas. Nem tudo é só triste ou só feliz, e não existe hora certa para sentir umou outro sentimento.

Terminar aquele livro que estou lendo há meses… e começar outro.

Ler mais.

Desenhar.

Escrever.

Praticar yoga.

Cantar, dançar, tocar.

Respirar.

Brincar.

Namorar.

Encontrar tempo (onde quer que ele venha se escondendo).

Ver mais as pessoas que amo; ter mais tempo para elas, também.

Abrir espaço! Em casa, na agenda, dentro de mim. Espaço para viver o que precisa ser vivido. Para aceitar quem sou e quem são os outros. Sem máscaras ou expectativas.

Que eu entenda que amar é a coisa mais importante na vida. Que é mais importante que ter. E, provavelmente, mais importante do que ser amado.

Que eu continue vivendo o maior amor do mundo!

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