não adianta

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Meu desânimo é tanto que parece que o mundo parou. Não há desejo e não há coragem, tudo é obscuro. Não entendo quem sou ou quem gostaria de ser. Meus sonhos estão ocultos por nuvens de aborrecimento e desesperança.

Falta de acreditar sem fim. Sinto-me tão atrasada diante de tudo que gostaria, que sinto que não é possível recuperar, que não adianta mais recomeçar e perseguir esses sonhos. Eles passaram. Foram-se com a luz do dia, com o navio que partiu. Nunca me pareceram tão distantes. O sentimentos de outrora de estar caminhando, de estar alcançando algo, se  esvaiu – onde andará, que não consigo encontrá-lo?

Não adianta. Sinto com todas as partes do corpo que não adianta. Estou vazia. Vazia de sonhos, de esperança, de coragem, de força. Perdida dos caminhos que não consigo ver. A pessoa que fui ficou para trás. A pessoa que pretendia ser, que estava buscando, não consigo mais avistar. E as dúvidas, aonde foram? Até mesmo elas seriam bem vindas neste vazio de alienação. Quero desenhar, mas não sei por onde começar. A frase retorna: não adianta. Todos os meus esforços e caminhos em vista sumiram. Será que estive todo esse tempo a perseguir nuvens em forma de bichos?

Estarei errada? Não seria nada daquilo? Nada do que pensei?

Que preguiça de seguir em frente, de continuar caminhando, obstáculo após obstáculo. Sinto-me tão só em minhas inquietações. Como se ninguém partilhasse delas e eu nadasse contra a maré, travasse uma batalha sozinha, que parece impossível de ganhar.  Todos na rua parecem tão seguros de suas escolhas, tão convencidos – ou pelo menos conformados…  Terão desistido de tentar mudar? Terão decidido aceitar a vida é assim, que é como ela é? Ou terão sempre a aceitado, jamais questionando o modo das coisas de ser? E eu que me recusava tão terminantemente a aceitá-lo, começo a me dar por vencida…

Talvez tudo seja assim mesmo, transitório. Talvez nosso lugar no mundo seja o que foi resolvido para nós, e não por nós. Todas aquelas inquietação e vontade transformadora desapareceram no ar, como bolhas de sabão, e eu me sinto só, a ver navios. Vazia. Sem expectativas. Sem ilusões.

Talvez nada tenha passado disso: ilusão. A alegria, a sensação de mudança iminente, de algo estar para acontecer, que não se concretizou. Continua tudo exatamente no mesmo lugar. Como rocha imutável – que não sou. Incapaz de mover-se. Tanta agitação e frenesi para nada. Tremendo anticlímax.

Será este sabor amargo o sabor da tal realidade?

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