primeira praia só nós dois… #comofaz?

Aviso: este post contém cenas fortes, e não é recomendado para quem tem coração fraco. Ou nojinho de histórias escatológicas. Ou julgamentos de qualquer tipo.

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Hoje amanheceu um dia tão lindo, com um sol forte como há muito não se via, que parecia quase um pecado ficar em casa com o filhote. Marido saiu para remar, e me vi em dúvida entre Jardim Botânico, Parque Lage e praia. Os dois primeiros eram programas relativamente seguros, tranquilos de ir sozinha com o pequeno, como já fiz tantas vezes. Optei pelo último.

Você aí que tem filho já deve estar pensando “vai dar merda”. Você tem razão, aguarde e verá.

Você que não tem filho, deve estar se perguntando “e qual o problema de ir à praia sozinha com o filho, isso não é o natural?” Não, não é. Qualquer mãe entende… Aguarde e verá.

Arrumei a bolsa do garoto – fraldas, pomada, lenço, roupa extra, sunga, meia, sapato, protetor solar, baldinho e pazinhas, banana para o lanchinho, mamadeira com água, chupeta. Quase esqueci do sling, que voltei pra pegar às pressas, quando já estávamos em frente ao elevador, o que provocou acesso de choro e fúria no pequeno, que queria — grande novidade — ir para a rua! Menino rueiro, você, Guga.

Saímos felizes da vida, entramos num táxi e fomos pro Leme. Escolhi um ponto amigo de crianças, com muitas famílias à nossa volta. Já eram 10h (mais tarde do que tinha me proposto, pois decidira sair de lá no mais tardar às 11h30, por causa do sol). Mas tudo bem.

Mal chegamos, ele se desprendeu de mim e saiu correndo pela areia, rindo, quase pulando, mexendo na areia, se sujando, que nem pinto no lixo! Fiquei feliz. Minha intuição estava correta e aquele era o programa ideal para nós. Estendi o tapete dele, que resolvi usar como canga, e fui buscá-lo, que já tinha se sentado alguns metros à minha frente, sem nem olhar para trás, pra minha cara.

Busquei-o, coloquei-o sobre o tapetinho e ficamos ali. Pedi um guarda-sol na barraca da praia e o rapaz, prestativo, prendeu pra gente. Pouco depois Guga se levantou, pegou uma reta e correu em direção ao mar! Fui atrás correndo e interceptando-o a poucos passos da água… Tensa porque as coisas tinham ficado para trás sozinhas, fiquei com ele um tempo molhando os pezinhos e impedindo que entrasse com todo ímpeto de marinheiro de primeira viagem e se afogasse… Estava feliz da vida, mas aceitou quando o peguei no colo e trouxe de volta pra baixo do guarda-sol.

Pedi água de côco e biscoito Globo, fomos comendo. Ele, bonitinho, sentou na canga e devorou o pacote de biscoito quase todo (já era alimentação saudável… mas tudo bem, alguns pecados são toleráveis). Sentadinho, tranquilaço, ficou comendo e olhando o mar, na maior paz.

Pensei “Que delícia, que delícia! Como está tranquilo, como está fácil! Estou muito feliz.” Ficamos ali, devorando nossos biscoitos lado a lado.

Foi quando chegou um vendedor ambulante cheio de piscinas e baldinhos para vender. Vinha com uma piscina média já inflada, bonitinha. Vínhamos há um tempo falando em comprar uma piscininha nova, porque a do Guga já estava muito pequena. Não titubeei: comprei a piscina (embora pudesse comprar outra pela metade do preço no Saara — mas a ocasião faz o ladrão, não é mesmo? E quando eu conseguiria ir ao Saara, afinal?). Contei com a boa vontade do rapaz da barraca para enchê-la. Jogou dois baldes d’água cheios dentro da piscina e foi suficiente, já deu para brincar! Guga amou, ficou um tempão dentro dela brincando sozinho, depois saiu e continuou a brincadeira com baldinho e pás, super compenetrado, jogando areia dentro da piscina, pegando água com o balde e jogando sobre a cabeça.

Tranquilidade total. Eu estava adorando. Por que mesmo nunca fora à praia sozinha com ele? Estava tudo muito calmo e eu estava curtindo. Fazia tempo não ia à praia nem fazia um programa que fosse bom para mim também! Saco cheio de parquinho.

Após algum tempo, ele cansou de brincar por ali e pegou a reta do mar novamente. Dessa vez pedi à moça ao nosso lado (que também estava com o filho, adolescente) para ficar com nossa bolsa. Fomos ao mar e foi ótimo! Sem a tensão de olhar a bolsa, peguei-o no colo, mergulhei com ele, ficamos boiando, ele no meu colo… Curtimos muito a dois, pura diversão!

Ficamos um tempo até que decidi que estava bom e era hora de começar a nos arrumar para ir embora. Peguei a bolsa na vizinha e voltamos para baixo do guarda-sol (o sol agora estava ardendo). Coloquei-o na piscina de novo para começar a recolher as coisas.

Quando fui pegá-lo novamente para tirar a sunga foi que percebi que ele estava ab-so-lu-ta-men-te ca-ga-do!! Todo, todinho! Por dentro da sunga, por fora dela, na piscina! O cocô vazou e se liquefez. Aquela água nojenta com pedacinhos de cocô boiando, e eu, incrédula.

O que fazer agora com essa sunga, meu deus? E com esse cocô? Jogar no mar? Na areia? (Não pareciam boas opções.) Dá pra tirar a sunga com cocô e tudo? (Não, já tinha vazado.) O que eu faço?

Antes de mais nada, eu tinha que tirá-lo da piscina imunda!! Fiz isso, tirei a sunga e foi quando percebi que a situação era bem mais grave do que eu pensara… Ele estava cagado no corpo todo, o cocô se espalhou pelas perninhas, pela barriga, um horror! Sem pensar, taquei a sunguinha na piscina e fui tentar limpar o garoto. Sorte que tinha um baldinho com água do lado de fora, que pude usar para limpá-lo. Tirei o grosso com a água e o resto com lenço umedecido, sequei com fraldinha. Ele estava deitado na canga, relativamente limpo — ufa, que alívio!

Coloquei fralda nova, blusa limpa e tudo. Respirei.

Fitei a piscina, sem nenhuma animação. Sim, a sunga estava lá, o cocô agora se espalhara por completo, e o que eu podia fazer com aquilo? Abri o tampo e deixei a água escorrer pra areia, torcendo para que o cocô ficasse dentro da piscina, e eu iria esvaziá-la e dobrá-la com cocô mesmo, colocar na bolsa com tudo, suja mesmo, depois eu limpava! E por que diabos não tinha levado a porra do balde que havíamos comprado pra guardar todas as coisas de praia?… Ah, sim, porque não queria carregar mais peso… Bom, mas àquela altura nem isso era mais possível. Eu tinha comprado uma piscina relativamente grande, que agora estava inflada, toda cagada, e não tinha onde levar, só dentro da bolsa mesmo.

Abri as tampinhas da piscina e fiquei torcendo para que esvaziasse… Nesse momento, percebi que meu filho, que já estivera limpinho e sequinho, deitado comportadamente na canga, havia se levantado e rolava na areia, tentando chegar novamente na reta do mar! Agarrei-o feroz, que se debateu e chorou e guinchou iiiiiihhhhhh, em protesto. Rolou ainda mais no chão e virou um  bifinho à milanesa — maravilha! Eu, sozinha, com um bebê à milanesa, uma piscina cagada que não esvaziava e uma bolsa cheia de coisas que não sabia onde botar, mas tinha que tirar dali e botar em algum lugar, pra poder colocar a piscina onde elas tinham vindo… Isso porque já eram quase 12h e o sol torrava…

Fiquei conversando com Gustavo, tentando distraí-lo, ao mesmo tempo em que pisava nas bordas da piscina para ajudar a esvaziar. Percebi que a água — e o cocô — haviam se espalhado pela areia das proximidades — legal, bacana, agora além de tudo me sentia culpada por aumentar a concentração de coliformes fecais na areia da praia… Só conseguia pensar na próxima criança que brincaria ali… Culpa cruel.

Nisso ele começou a chorar alto. Pudera, eram 12h e o sol estava quente, ele, certamente cansado e doido de sono, provavelmente com fome. E eu, sem saber o que fazer, não podia dar atenção às coisas, tinha que cuidar dele, mas elas também precisavam de mim, que eu não via possibilidade de se arrumarem e entrarem na bolsa sozinhas — quisera!

Falava com Gustavo, pegava no colo, dava água, pisava na piscina, pensava nos coliformes fecais, tentava encontrar um saquinho que comportasse a piscina, mas nada… Guga chorava cada vez mais, agora jogando o corpo para trás em clara demonstração de sono.

Respirei fundo.

É, não ia dar pra fazer tudo. Não sou super mulher.

Tem momentos, quando temos filhos, em que não tem o que fazer para apressar a situação. Não adianta querer que ela se resolva sozinha, não se resolve. Não adianta apressar a criança, explicar que se ele ficar quietinho, vai ser mais rápido a mamãe arrumar as coisas e sairmos dali pra ele chegar em casa e descansar. Simplesmente não dá. Tem momentos em que precisamos parar e deixar o tempo acontecer. No tempo dele mesmo. É como um tempo dentro do tempo, um parêntese que a gente precisa fazer, pra deixar as coisas acontecerem — não do jeito como a gente quer, mas do jeito que pode ser. Demora um pouco para aprender isso, mas hoje eu já entendi.

Dobrei a piscina, sentei em cima dela pra acelerar o esvaziamento, botei o Guga no colo, cobri-o com a toalha pra não pegar muito sol, coloquei a chupeta na sua boca, respirei fundo, o abracei e cantei.

Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo sem ser semeado…

Os barulhos da praia ensurdeceram e foi como se ali, naquele momento, só existíssemos nós dois. Ele, coberto de areia até as pestanas, choroso de sono. Eu, cantado e embalando.

Vi a mãe do adolescente me olhar com pena — ou assim interpretei. Devia pensar “Essa maluca, coitada, sozinha com um bebê na praia… No que ela estava pensando?”… Eu mesma me perguntava isso.

Percebi pessoas nos olharem achando a cena bonita, outros, achando esquisita. E nós, ali, na nossa redoma, alheios a tudo, que era como se estivéssemos mesmo cobertos por um vidro, separados dos demais.

Gustavo dormiu. Ajeitei-o com o maior cuidado sobre o tapete, com algumas fraldinhas sob a cabeça e coberto com a toalha, para minimizar o efeito do sol (mesmo sob o guarda-sol, ainda podia queimar). Respirei novamente. Olhei, desanimada, para a piscina meio vazia. Ainda faltava um bocado para esvaziar. Passou um ambulante com mate de galão e pedi um copo.

Sentei-me ali ao lado do Guga e fiquei bebericando meu mate, curtindo a praia, o silêncio e a pressa sublimada.

Ainda me achei a catar o que pude dos coliformes fecais com uma das pás do Gustavo… Joguei na sacolinha de lixo, amarrei-a e deixei junto do coco que havia bebido.

Após um tempo, vi que a piscina estava quase vazia. Dobrei-a como pude e a enfiei na parte maior da bolsa, o que restava de cocô e tudo. Nas outras divisões fui enfiando o que coubesse nelas — roupas, sapatos, documentos etc. Prendi o sling ao corpo — sorte absurda ter lembrado dele no último segundo —, coloquei Gustavo pra dentro. Ele deu uma acordada, mas voltou a dormir logo depois. Peguei o balde e as pazinhas com uma mão, o tapete e a toalha foram na outra. Era uma louca-mãe descabelada com bebê pendurado no corpo, bolsa às costas e cada mão levando o que nelas cabia.

Pedi encarecidamente ao meu amigo da barraca que jogasse o lixo fora para mim. Paguei o guarda-sol e o que consumi, e lá fomos, deixando a praia pra trás… Ainda demorou para conseguirmos um táxi. Eu já estava meio esgotada, quando finalmente passou um carro vazio e entrei nele.

12h45. Liguei para minha sogrinha, disse que só àquela hora tinha conseguido sair da praia e que estávamos indo pra casa dela. Nunca fiquei tão feliz de ter combinado de almoçarmos lá, que eu não conseguia me imaginar ficando sozinha com Gustavo de novo naquele dia. Lá chegando ele acordou, dei banho nele (super feliz de novo, fez a maior farra), tomei banho e almoçamos — comida feita pela Diva vó, super gostosa e fresquinha… Comeu bem.

Moleza. Sensação de cansaço, de exaustão, de satisfação e de riso.

Saldo da história: muito bom! Faria (e farei) novamente… Com as devidas ressalvas:

1) não esquecer, na próxima vez, do balde grande para levar as coisas; 2) NUNCA deixar o pequeno apenas de sunga novamente, sempre usar fralda d’água; 3) caso a fralda d’água não esteja disponível, tirar a sunga ao primeiro sinal de cocô, antes de mais nada, e colocá-la dentro de um saco para levar pra casa (nada de tacar na piscina e ter que lidar com aquela imundície de novo); 4) abrir as tampinhas da piscina no mínimo meia hora antes do horário previsto de sair da praia, para dar tempo de esvaziá-la; 5) chegar mais cedo, e nunca mais sair tão tarde, pra não passar perrengue de sol-sono-fome outra vez! Principalmente quando estiver sozinha com ele. (Junto a gente até aguenta chororô + arrumação + carregar as coisas… sozinha, não.)

Enfim, fui pra guerra e sobrevivi pra contar a história. Meu filho também sobreviveu, o que é ainda mais importante.

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5 comentários sobre “primeira praia só nós dois… #comofaz?

  1. eu tinha lido esse texto no celular!! não dava para comentar!! Vc fez algumas considerações que eu nunca tinha levado em conta! hehehe Biel ganhou uma piscininha para praia! quero levá-lo em breve… Deixa só o tempo firmar 😉

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