pão-bi-cho-pa

As-imagens-mais-WTF-da-semana-46-PIC-057

Sempre insisto em falar de tristeza. Algumas pessoas não compreendem… A tristeza desconcerta. Às vezes, até constrange. Percebo que a maioria das pessoas não está preparada para debater sofrimentos. Esta sociedade marginaliza a tristeza, assim como as dores e todos os males da alma. Fazem-nos crer que são até vergonhosos. Não devemos falar deles, não devemos admiti-los. O que devemos fazer é sorrir, independente de quê, e fingir que está tudo bem, sempre. É o que nos ensinam.

Tenho textos aqui que falam de tristeza e de alegria em iguais medidas, mas muitos que os leem se detêm apenas na tristeza. Comentam: “Que triste!”… e me pergunto se terão lido apenas metade. Todos sentimos dor, frustração, saudade, melancolia… Por que falar nisso é tão chocante? Por que, quando falamos de tristeza, sempre tentam nos consolar e aconselhar, enquanto na maioria das vezes o que queremos é apenas ser escutados?

A tristeza quer sair. Ela quer ser ouvida, reconhecida. Ela não precisa de consolos ou conselhos, quer apenas receber atenção. Ser legitimada. Afinal, ela tem motivos de ser…

Não sei exatamente por quê, nem a partir de quando, me tornei tão interessada pelos sentimentos ditos negativos. Talvez por ter percebido que os momentos em que mais aprendi e me transformei na vida não foram momentos felizes, e sim de crise. Escrevo sobre tristeza porque é ela que preciso compreender, aceitar e aprender. Raramente escrevo sobre felicidade, pois não é preciso; felicidade, só é preciso sentir!

Sim, eu gosto de olhar minhas dores, dar a elas carinho e atenção. Assim como meus medos. Gosto de olhá-los de frente, encará-los. Sem deixar que se transformem em medo do medo do medo…

Não é possível negar as dores. Elas existem, estão aqui. Eles me incomodam, me inquietam e me perturbam… Mas não é fechando os olhos e emudecendo que desaparecerão. Talvez, ao contrário, se enterrem ainda mais fundo, cravando suas garras em meu peito e perdurando por muito mais tempo… Eu as encaro porque preciso: 1) admiti-las; 2) compreendê-las; 3) aceitá-las; e 4) deixá-las partir – abrir mão delas! (O que também é difícil de fazer; ao passo que muitas pessoas não conseguem nem mesmo admitir seus sentimentos, outros apegam-se a eles com unhas e dentes…)

Eu olho para dentro e encontro minhas dores, uma a uma. Nos encaramos. Eu as pego nas mãos e acaricio. Sim, eu amo minhas dores. Elas me trouxeram até aqui, me tornam real. Afago uma a uma, e depois recoloco, carinhosamente, dentro do peito.

Uma vez que nos conhecemos e nos tornamos amigas, elas não mais me assombram. Fechar os olhos para as dores pode torná-las ainda maiores, transformá-las em bicho-papão, fechado num armário a sete chaves, e nós, sempre com medo que se liberte e saia para devorar tudo… As minhas, não. Elas têm o tamanho que lhes cabe e estão livres para transitar, para ir e vir, voltar, às vezes, em forma de saudade ou de lamento… mas sem proporções desmedidas, aumentadas por medo ou imaginação.

Eu as afago e guardo novamente lá dentro, onde é seu lugar.

Insisto em falar de tristezas, ainda que me torne, por vezes, inconveniente – mas insisto. Falando das minhas dores, espero ajudar outros a compreenderem e aceitarem as suas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s