empatia e doçura

rosa

Já reparou que curioso como algumas pessoas que são cheias de defesas na vida real podem se mostrar abertas e disponíveis na internet? Vou te falar que há facetas de amigos de vida inteira que estou descobrindo agora, com o advento do facebook. 

É engraçado acompanhar suas postagens e descobrir que são loucos por gatos, nerds de carteirinha, militantes do parto humanizado, reacionários disfarçados, politizados engajados ou alienados felizes em um mundo cor-de-rosa… Quem diria? Essas facetas eu realmente não conhecia… Nem mesmo as minhas.

Tenho usado bastante esse novo veículo “rede social” como ferramenta para autoconhecimento. Ter acesso a opiniões diferentes, mais diversas que até então, me proporciona um exercício rico de questionar minhas próprias convicções. Além disso, eu que sempre tive medo de confrontos, tenho encontrado no virtual uma excelente maneira de trabalhar essa dificuldade, e de um jeito muito mais construtivo do que poderia pensar. Os confrontos e encontros quase inevitáveis dos debates virtuais me ajudam a exercitar a auto-aceitação, além de lançar um olhar diferente sobre mim mesma. Ao expor minhas ideias ao julgamento dos outros, tenho a impressão de poder me ver por seus olhos – às vezes começo a perceber facetas de mim de que antes não sabia.

Aconteceu, certa vez, de entrar num debate em uma lista de discussão que me deixou bastante irritada. Eu odeio ficar irritada. Raiva é um sentimento que não combina comigo. Não gosto, simples assim; me faz mal. Naquele dia fiquei tão exaltada que, antes que pudesse me conter, já tinha apertado send e a resposta mal criada tinha sido enviada. Sem chance de undo… Resultado: ressaca moral por dias.

Então, recentemente, descobri outra maneira de lidar com essa irritação. Pra começar, percebi que ela surge, na verdade, do estranhamento pelo que é diferente de mim. Quando entro em contato com uma opinião radicalmente diferente da minha, ou quando recebo um comentário que me parece ofensivo de alguma forma, imediatamente fico reativa! Sinto a raiva arder no estômago e tenho vontade de responder agressivamente. Mas a vantagem do diálogo virtual é que você não precisa responder imediatamente; você pode fazer uma pausa para respirar. Tem tempo para pensar.

Por que estou sentindo raiva? O que este argumento cutucou, lá no meu âmago, que me incomodou?

Não raro percebo que são meus próprios julgamentos que me incomodam.

Então respiro novamente e procuro a coisa mais gentil que posso responder àquela pessoa.

Não se trata de hipocrisia. Minha resposta é sempre verdadeira. Mas eu procuro dentro de mim o que verdadeiramente tenho para dizer de bom sobre aquele assunto. E calo o julgamento.

No momento em que respondo dessa forma, com gentileza e empatia pela pessoa, minha raiva se esvai. E obtenho resultados surpreendentes!

Numa dessas, ganhei uma amiga. Uma mãe fez um comentário imediatamente seguido ao meu, colocando-se de maneira oposta a mim. Senti-me atacada! Mas não; ela apenas compartilhara seu pensamento sobre um assunto que para mim era delicado. Senti-me atacada porque era eu quem me julgava. Meu primeiro pensamento, indignada, fora “quem ela pensa que é para esfregar na minha cara toda a minha covardia?”…

Respirei fundo antes de mandar uma resposta atravessada – tive tempo de mudar de ideia. Não vou escrever isso. E fui para o outro lado. Respondi que admirava sua coragem — sendo sincera! A verdade é que sentia vergonha da minha covardia, por não ser capaz de ter a mesma atitude que ela. Sentia inveja da sua coragem, a admirava. Então em vez de retrucar achando que ela estava me criticando, disse isso a ela.

Fiquei muito feliz por ter respondido dessa forma, em vez de defensivamente – reação infantil de quem ainda não fora capaz de se aceitar. Nesse momento, consegui: me aceitei. Covardia e tudo. Baixei a guarda, desfiz barreiras e defesas… e não senti mais nada. Nem raiva, nem ofensa. Minha admiração ficou clara para mim, e ela ficou tocada pelo elogio – que, no fundo, ela também estava buscando aceitação, compartilhando sua ousadia, insegura da própria decisão! Desenvolvemos uma admiração sincera e mútua, e nos tornamos amigas.

Foi uma reviravolta incrível, boa mesmo de ver, que dirá de viver! Decidi que passaria a responder sempre assim.

Baixar a guarda. Já temos muros suficientes, mais do que é desejável. Temos muito medo de nos mostrar como somos. Mas não foi para não me mostrar que decidi responder com gentileza ao que, num primeiro momento, me exasperou. Foi, ao contrário, uma forma de me aceitar: aceitar a irritação, a vergonha, o próprio julgamento… e, uma vez aceitos, foi até fácil abrir mão deles.

Abri mão da irritação, da reação e da ofensa. Escolhi a empatia e a doçura.

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