Isto é assim. Aquilo é assado.

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Sobre não buscar garantias para cada escolha que fazemos na vida. Desapegar dos resultados, não lidar com o viver como se fosse uma sucessão de metas numa lista de afazeres:
terminar a faculdade [check];
arranjar um emprego [check]…
e assim sucessivamente, até perceber que nada daquilo fez você feliz, que aquele sucesso passageiro, efêmero, perdia totalmente o significado no instante em que era conquistado. E aquela meta era logo substituída por outra, e por outra…

Te vi com Fulano, estão namorando?
Quando vão casar?
Casou? Que legal! Já estão pensando em filhos?
Grávida? Para quando?
E o segundo, quando vem?

Que mania da nossa sociedade de não viver no presente. Estamos sempre deslocados, nos projetando à frente (ou atrás). Mania, ainda, de rotular, de enquadrar as experiências, os sentimentos, as vivências, sem nos dar tempo e espaço para de fato experiênciá-las.

Sim, eu sei. É difícil conviver com o risco, com a falta de garantias. Quando não temos garantias, percebemos que não temos controle do que está por vir, e isso é assustador. É difícil também conviver com o anônimo, com o indefinido, com a dúvida. Queremos categorizar logo, pois o rótulo nos ajuda a compreender onde estamos, em que pisamos.

Isto é assim. Aquilo é assado.

Pronto. Acabou-se a experiência. A vivência se perde no instante em que é massificada, categorizada. Quando tentamos enquadrar um sentimento desconhecido dentro do que já conhecemos, isso nos dá a falsa sensação de pertencimento, pois nos entendemos dentro da nossa zona de conforto. Mas, muitas vezes, a categorização é errada. Não raro há mais naquele sentimento, na experiência, do que conseguimos perceber de imediato – e, em vez de deixarmos a porta sensorial aberta, para continuarmos a vivência em toda sua potencialidade, nos apressamos por aparar as arestas que não se enquadram e encaixar o evento, a emoção, dentro de nossas caixinhas nomeadas.

Isto é assim. Aquilo é assado.

Permanentemente? Como se ser fosse algo imutável, estático, e não muito mais complexo, em construção, em transformação a todo momento, como um caleidoscópio, que vira e apresenta infinitas combinações diferentes com os mesmos elementos. Somos caleidoscópios de sensações, de emoções que se embaralham, se combinam, se redefinem o todo tempo.

Permanente? Nem mesmo o universo. Que dirá ser tão pequeno e singular como eu.

É simplesmente impossível receber garantias, qualquer escolha que se faça. Podemos trilhar o caminho conhecido, habitar a zona de conforto e nos relacionar com o óbvio. Ainda assim, o imponderável se precipita sobre nós e nos tira todo chão, nos fazendo lembrar que nessa vida tudo é fugaz, que não estamos no controle, embora pensemos que sim. Pra quem luta para estar no controle a cada momento da vida é um grande choque esse chão vazio, pés sobre o nada, sem saber onde pisar.

– Em que direção há terra sólida, pelo amor?

Respire. Feche seus olhos e espere. Aguce sua percepção. Esqueça tudo que lhe ensinaram e colocaram na sua cabeça que é certo, tudo o que você foi programado para acreditar, para querer, para desejar… Esqueça o que esperam de você e sua própria autoimagem. Desapegue das certezas e das expectativas. Dispa-se dos medos. Perceba-se só e nua diante da imensidão do desconhecido.

Acredite. Essa perda de chão e de identidade pode vir a ser o que de melhor lhe aconteceu até agora.

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